quarta-feira, 17 de novembro de 2010

O FUTURO DO TRABALHO

O homem moderno enfrenta um grave dilema. Como consumidor, ele
deseja bens e serviços cada vez melhores. Como trabalhador, ele deseja
bons empregos e altos salários. Esse é um enorme desafio para toda a
humanidade porque a empresa moderna consegue atender ao primeiro
objetivo, mas não ao segundo.
De fato, as inovações tecnológicas e as mudanças administrativas têm
permitido produzir muito. Nos últimos 15 anos, os produtos
melhoraram de qualidade e baixaram de preço. Mas tudo isso foi feito
com menos mão-de-obra. Ou seja, os novos métodos de produção usam
pouco trabalho, geram desemprego, subempre-go, jornadas de tempo
parcial, trabalho temporário e outras formas atípicas.
O desemprego no mundo não é determinado apenas pelos métodos que
poupam trabalho. Ele é causado também pela escassez de capitais para
investimentos e pela carência de mão-de-obra qualificada para trabalhar
nas novas condições de tecnologia e de administração.
A população mundial é de quase 6 bilhões de pessoas. A Organização
Internacional do Trabalho (OIT) estima que cerca de 900 milhões de
seres humanos estão desempregados ou subemprega-dos. É um número
fantástico! O mais grave é que iniciaremos o terceiro milênio sem a
menor possibilidade de absorver essa massa gigantesca de pessoas que
precisam trabalhar. Esse é um dos mais graves problemas do mundo.
No Brasil, somos 150 milhões de habitantes; 70 milhões são pessoas
economicamente ativas. Cerca de 20 milhões de brasileiros estão
desempregados e subempregados. O desemprego aberto não é tão alto.
São 4 milhões de pessoas. Mas, os que trabalham de forma errática e
intermitente, com jornadas e salários reduzidos, somam quase 16
milhões. E se considerarmos os que trabalham no mercado informal,
sem carteira assinada, como empregados ou como autônomos, esse
número chega à espantosa marca de 38 milhões de brasileiros.
No mundo inteiro, as novas tecnologias e as exigências de proteção
ambiental tornaram a geração de emprego um empreendimento
extremamente caro. No Brasil, para se gerar um emprego, os
investimentos necessários chegam a US$ 30,000 em média. Há
empregos mais baratos como, por exemplo, os da agropecuária. Mas
não tão baratos, pois as tecnologias químicas, mecânicas e biológicas
são indispensáveis para se alcançar os padrões de produtividade que
são necessários para melhorar os produtos e baixar os preços. Há
empregos mais caros, especialmente, os do setor industrial que
demandam muitos investimentos em infra-estrutura, equipamentos,
proteção ambiental, etc. Muitos ultrapassam US$ 100,000.

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